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Casa do Oeste assinalou 25 anos de ajuda à Guiné

6th Junho, 2016

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Revisitar o trabalho solidário de 25 anos com a Guiné e perspetivar o futuro foi o mote para o seminário intitulado “Pelo desenvolvimento local da Guiné”, organizado pela Fundação João XXIII/Casa do Oeste, no passado fim de semana, dias 4 e 5 de junho, na sua sede, em Ribamar, no concelho da Lourinhã.

Durante um dia e meio houve momentos de festa e de celebração, mas também tempo para olhar o que foi feito alicerçando as bases do trabalho para os anos vindouros.

Depois de um serão de sábado dedicado à cultura guineense, na manhã de domingo, perante uma plateia de cerca de uma centena de pessoas que de alguma forma já cooperou com o projeto de solidariedade com a Guiné da Fundação João XXIII, foi condensada a história de um quarto de século de Missão.

O primeiro contato com a realidade guineense ocorreu em dezembro de 1990, quando um grupo de voluntários, da área da construção civil, se deslocou à Guiné em férias solidárias, e durante 15 dias repararam metade das casas do Bairro de São Vicente de Paulo, em Bissau.

Ao longo de todos estes anos, a deslocação regular de grupos de voluntários à Guiné, foi permitindo alargar o conhecimento sobre a realidade do país e contactar com projetos de desenvolvimento local, o que tem demonstrado à Fundação João XXIII que, mais importante do que dar coisas e implementar projetos que aparentemente são mais úteis às populações, é fundamental estar atento e apoiar as iniciativas de desenvolvimento local, levadas a cabo pela vontade e pelas mãos dos guineenses.

Até hoje têm sido apoiados projetos locais como o da Cooperativa Escolar São José de Mindará, a construção do Centro Social de Ondame para acolher todos quantos ali se deslocam em missões solidárias, a Cooperativa Agrícola dos Jovens Quadros de Cachungo e a COAGRI-Coop. Agrícola João XXIII, a rádio de Biombo ou a Cooperativa das mulheres do Sal Iodado, de Bissá. Mas outras iniciativas têm tido o apoio da Fundação nomeadamente a Clínica Bom Samaritano com a sua valência de maternidade que estava a atingir um estado de degradação que rapidamente seria impeditiva da sua ação. Ainda na área da Saúde, pela mão da Fundação João XXIII teve início, em 2011, um projeto intitulado Visão-Guiné que atualmente desenvolve a sua ação no Hospital da Cumura, e a parceria com a Organização Não Governamental AIDA para a evacuação de crianças com cardiopatias que são tratadas em Portugal e posteriormente levadas novamente para a Guiné.

De viva voz, algumas destas ações foram ali apresentadas pelas pessoas que deram o seu contributo direto, ora através das viagens solidárias, ora no terreno, como foi o caso do professor Raúl da Silva (da Cooperativa Escolar São José de Mindará) e pelo responsável da Cooperativa Agrícola João XXII/COAGRI, Dú da Silva.

O seminário foi igualmente um ponto de partida e de perspetiva de novos projetos. Está já pronta uma embarcação que servirá para ligar a ilha de Pecixe ao continente, tirando do isolamento uma comunidade de 4 mil pessoas. Também o mais recente projeto, a Granja da Cooperativa Agrícola/COAGRI de Quinhamel, que está neste momento a possibilitar que perto de 70 famílias tenham um terreno para cultivo. Ali será instalada, igualmente, uma exploração avícola, para além da criação de outros animais em menor escala.

O espírito solidário e a partilha de experiências e aprendizagens tem sido uma das mais-valias da Fundação João XXIII, mesmo quando os projetos são pensados, implementados e posteriormente os voluntários verificam que os mesmos precisam ser formatados à realidade social e cultural local. Essa mesma vivência foi sublinhada pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, que na sua mensagem aos participantes no Seminário afirma que “colaborações assim alicerçam um futuro realmente comum e solidário, dando substância às ideias e acrescentando humanidade, como só acontece na partilha”.

Sintetizando, Acácio Catarino afirmou no final do encontro que no Seminário foi claramente enfatizada a identidade da missão solidária com a Guiné e que a mesma assenta em três vértices: cooperação, desenvolvimento e voluntariado. No que se refere à cooperação destacou o reconhecimento da igual dignidade de todas as pessoas que participam no projeto, independentemente da sua formação, capacidade profissional, ou se colaboram indo à Guiné ou não. É, pois, uma cooperação de trabalho efetivo. Já no desenvolvimento, objetivamente os 25 anos de solidariedade com a Guiné sempre se pautaram pelo desenvolvimento integral dos guineenses, abarcando a saúde, a educação, a economia, sociedade e cultura. Já a ação dos voluntários, o orador destacou todos os níveis de trabalho, chamando a atenção para uma realidade até aqui pouco explorada que é a da comunhão das limitações que tanto os nativos como os voluntários que ali vão em Missão sentem no seu dia-a-dia e na implementação dos programas de ajuda. Referindo-se à encíclica papal em que os Cristãos são chamados a cuidar da casa comum, Acácio Catarino constata que desde há muitos anos que os voluntários, solidários com a Guiné, colocam essa preocupação em prática.